Carmen Miranda – Uma ópera da imagem

Escultura Sonora, 2010
Dimensões variadas
Em colaboração com Marcia Sá Cavalcante Schuback (texto)


Vista geral da instalação, Contos sem Reis, Casa França-Brasil, Rio de Janeiro, 2013


Vista geral da instalação, Prêmio Energisa, João Pessoa, Brasil, 2012

O projeto relaciona-se com a imagem de Carmen Miranda, cantora de samba luso- brasileira, atriz da Broadway e de Hollywood, estrela de cinema durante os anos 30 até os anos 50. Sua carreira artística começou no Brasil e em seguida, continuou nos Estados Unidos com grande sucesso internacional. Carmen Miranda criou seu personagem, fazendo uso do auto-exotismo, o exotismo da América do Sul, com uma sensualidade temperada pela caricatura, com roupas extravagantes, balangandãs e turbantes multicoloridos que têm origem na indumentária afro-brasileira.

Durante muitos anos, foi considerada a mulher mais rica da América do Norte. Mas, como acontece muitas vezes com a absorção do “exótico”, étnico – pela cultura americana, a personalidade de Carmen e seu radiante otimismo foi logo esmagada e distorcida. Hollywood não compreendeu o estilo único e pessoal, seu senso de humor, e seu uso deslumbrante das influências afro-brasileiras e a transformou em uma versão barata e barulhenta do excesso e depois de algum tempo a descarta .

Carmen, a chamada “Brazilian Bombshell” teve um colapso no palco e morreu de um ataque cardíaco aos 46 anos de idade. Este projeto, que é uma colaboração com Marcia Sá Cavalcante Schuback, resultou em uma escultura sonora, que aborda principalmente os problemas da representação através do corpo performático de Carmen Miranda. Um organismo público que também se torna político, marcado pelas controvérsias entre Brasil e Estados Unidos durante a década de 1940.

A imagem de Carmen é traçada por meio de categorias de deslocamento. Pode ser lido como um corpo que possui e revela as fantasias e ansiedades da ideologia dominante em relação ao gênero, diferença sexual e étnica, que revela e esconde as mensagens conflitantes de gênero. Alegoricamente, desde então, ela também tem alimentado uma imagem ou “interpretações carnavalescas” dos trópicos ao longo dos tempos nos quatro cantos do mundo. Carmen Miranda e seu estilo eclético é considerada uma precursora do Tropicalismo no Brasil.


Fotos:
Sérgio Araújo